O culto cristão do primeiro século da Igreja era comunitário. Os crentes se reuniam nas sinagogas aos sábados para ler, discutir a Palavra, entoar canções centralizadas em Deus e, aos domingos, se encontravam nas casas uns dos outros para partilhar uma refeição e participar da Eucaristia. Quando começaram a ser perseguidos, os cristãos cultuavam em lugares escondidos, como as catacumbas romanas.
Quando Constantino, imperador de Roma, definiu o Cristianismo como religião oficial do Império, começaram a surgir os templos e catedrais, os lugares separados para adoração a Deus. Surgiu também o pensamento de que "Deus só está onde o bispo está". "Igreja" começou a ser nome de construções e deixou de designar os "chamados para fora".
Séculos se passaram, grandes momentos da história da Igreja se desenrolaram. Aconteceu a Reforma, o "imperialismo religioso" das potências europeias, os grandes avivamentos. Mas também momentos que envergonham, como as Cruzadas e a Inquisição. Até que o protestantismo chegou ao Brasil. Aqui, o culto começa a ter um caráter individualizado, com muitas canções em primeira pessoa. Os cristãos não se reúnem mais para compartilhar uns com outros da Palavra e de Deus. Não se reúnem mais para encontrarem Deus nos irmãos e com os irmãos, mas simplesmente para terem uma experiência sobrenatural ou para se apresentarem. Pela lógica atual, a construção "igreja" ainda é o único lugar onde Deus se manifesta. O único lugar separado para a adoração a Deus. O lugar onde Deus habita.
E uma multidão de cristãos vai à igreja. Vai assistir ao culto.
E eu? Bem, eu acredito na Igreja. Mas a Igreja como a Bíblia a define. A Igreja que é a "reunião dos santos", não um amontoado de tijolos formando um edifício. A casa de Deus que são os irmãos juntos, independente do lugar. Não acredito que a Igreja sou eu. Acredito que a Igreja somos nós. Igreja é comunhão. Mas ainda falta a muitos aquele estalo de que a Igreja não é a construção. Não é só o pastor, os obreiros e o ministério de louvor. A Igreja somos nós, cristãos, juntos. Igreja é comunidade, o lugar onde um ajuda e dá suporte ao outro. Talvez, considerando a situação atual, em que as pessoas "vão à igreja", esse modelo de Igreja possa parecer um tanto idealizado. Mas sigo ansiando por essa "utopia" e tentando fazer a minha parte.
"Ir à igreja" denota uma atitude passiva, como se você não fizesse parte da Igreja. Pare de "ir à igreja" e comece a se reunir "como Igreja".

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